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28 de agosto de 2016

Metrô

Há espaços e estações
Há versos e há versões
O certo contradiz o errado
Os fins não justificam os meios
Amores que não são vividos, morrem
E assim segue-se a vida
O mesmo destino num outro vagão
Afinal, promessas de Deus não morrem
Te acolhem na estação de chegada.

7 de janeiro de 2014

Passarinho de Papel


O passarinho de papel voa,
Flutua ao vento, colore a varanda na qual está preso ao fio...
Imponente, plana sob sustentação
Passarinho de papel
Não se importa com bandos
Solitário ou não,
Observa e se admira...
Bandos se balançam,
Se bicam, se perdem no horizonte
Bandos pertencem a si mesmos

O passarinho de papel desejou...
Mas desejou fortemente
Ele acreditou que aquilo era dele também
O céu, as cores, o infinito horizonte
O dar-se a amar...
O vento ao que parece lhe ouviu...
Soprou tão forte quanto aquele desejo

O passarinho de papel voou!
Dessa vez para fora da varanda...
Brindou suas cores ao sol
Planou junto a outro pássaro
Com delirantes rodopios...!!!
Até o chão.

O passarinho de papel agora preso ao chão
Lembrou-se que era apenas de papel
Minutos antes...
Antes de ser atropelado por um kia
No asfalto quente da Rosa e Silva.

4 de março de 2012

A volta

Talvez eu devesse apagar aquelas lágrimas
Afinal, errei também
Ou talvez devesse ignorá-las
Assim como ignoras o fato ocorrido

Simplesmente esquece-las
Para ter e dar paz ao estar contigo
Não crer que és falho e eu fraca
Para ter certeza da nossa eternidade

Meu amor,
Distanciemo-nos da dor das lágrimas

27 de janeiro de 2012

Zerôs

Há versos e diversões
Há versos e aversões

Há versos de versos
Há versos diversos
Avessos
Achados
Roubados

Mas não há versos de mim.

19 de janeiro de 2012

Amor refratado

E da palavra que me falta
Me resta a tentativa
No gesto que concretiza minhas intenções
Seja para desejo ou para ferir

Intenções selam minhas opções
Caminho, carinho, manipulação
Gestos vazios às palavras vazias
Palavras manipuladas, frias, dissimuladas

Tudo tão igual a mim, quanto a você
E isso é o que me resta a amar

15 de setembro de 2011

Trote

Destino certo e firmeza no passar
Cavaleiro e animal não desviam o olhar
Por mais amor que a sua dama pode jurar
É sua vida, a sua sina e sua essência

Cavalgam...
O trote marca o pulso
Sua alma salta, trota, resfolga
Tornam-se um espírito, uma vontade

Duvidam...
Dessa liberdade, desse caminho

O que era selvagem, livre, em paz
É hoje domado pelo tempo
A idade que ele traz
Acumulam as responsabilidades que ele faz

4 de julho de 2011

Desabafo !

E o que era poético está virando verdade
O que era piada está virando seriedade
O que era sonho está virando realidade
O que era amor está virando previsibilidade
O que vai ser de mim?

13 de junho de 2011

Idade da Saudade

Saudade
Dê sal
Da idade
Sal da idade

De Sal,
Dá idade
Ida dá saudade

Sal tempera os gostos
Idade é questão de tempo
Tempo demais dá saudade
Como o sal, saudade demais estraga.

12 de junho de 2011

As coisas como elas são

Depois de banhar-me com a fonte de vida da terra
Vesti sensualidade e feminismo
Confortando meus pés com simplicidade e delicadeza
Expressando minha regionalidade nos cabelos

Almocei saúde e felicidade
Bebi da calma
Lustrando meu sorriso
Sujei, cuspi a fonte de vida da terra

Aqueci a economia
Desafoguei o trânsito inexistente
Enriqueci algum magnata dos transportes
Cheguei ao templo do saber

Fui garantir meu futuro
Com o idioma da generalidade
Dei REC, STOP and PLAY
Deu FORGET ALL THINGS.

27 de maio de 2011

Ritmo

Observe e escreva um verso para mim
Sobre meus gestos, minha fala
O olhar que te lanço
Cada balanço que te faz amar...
Feche os olhos e rime
Sob teus ombros meus braços
Cada abraço, agora, preenchidos espaços
Nem precisa força para se inspirar

A poesia feita, segredo nosso
Sem verbalizar, sem pôr em papel
Pelo cheiro da maresia irei lembrar.

11 de maio de 2011

Tá certo.

Eu tenho tanto medo do preenchido
Ser feliz por completo
Ter alguém por inteiro
Ter realizado todos meus sonhos

A exatidão de sentimentos
A certeza de ter
A certeza de ser
A possibilidade de sempre prever...

Por nunca ter entrado nesse universo
Onde tudo é certo
Nada está suspenso
E só o que tenho de fazer é viver

25 de fevereiro de 2011

SEMPONTOUVIRGULAS

Eu quero que doa
Em mim as dores do mundo
Minhas próprias dores
E as suas
Longe o bastante
Eu quero que dês
Para outra
Para todas
Para mim
Verbalize atos
Atualize os dados
Do tempo download

13 de fevereiro de 2011

Terezinha Gomes

Não é mais como a canção
O anel, paguei em prestações longas
Para o amor que desgastei

O tombo que me provocastes
Só me fortaleceu os joelhos
Não havia cavalheiros para acudir-me

A fé não é mais a mesma
Meus sonhos não compartilho
Não mais.

26 de setembro de 2010

Eu FoR iA, e você?

Andar, correr, acelerar o coração
Uma voz, uma música, uma bateria
Todo um ritmo... que envolve
Toda uma situação... que envolve
Todo corpo... que se envolve

É eterno e passageiro:
Quando acontece, te faz existir para estar ali
Quando acaba, te faz esquecer que esteve ali
Você deseja continuar, você deseja repetir
Guarda as marcas do momento
O sentimento
O acontecimento
O esquecimento...

O que te lembra que ocorreu?
Vislumbrar um outro semblante
Aquele que te transparece
Tudo que acreditas ter passado
Mesmo que na imaginação
(...)

25 de setembro de 2010

Anoitecendo, poetando...

Meus passos continuaram firmes
Os gritos abafaram-se com grilos
E tudo confundia-se
Perseguição, passos
A forma, a parede, é escuridão

Os sons diminuindo
Os passos diminuindo
A dúvida aumentando
E tudo transformava-se
Violação, namorados, é natural

30 de agosto de 2010

A mulher nua

Não quero poemizar desgraças alheias
Não vou rimar
Não vou figurar

Afinal, ela apenas andava
Alheia aos olhares
Alheia à lucidez
Alheia à nudez que a cobria

Afinal, já nem sei se importava
Sei que as pessoas não
Sei que as autoridades não
Sei que eu não...

De sal do mundo
Fui á lama
Da bondade, fui com o pudor
De tudo, só tiro palavras.

1 de agosto de 2010

Velhice Prematura

Andando de acordo com minhas convicções
Cansada de paixões
Tomando chá para esquentar
...eu sou uma velha

A Cabeça erguida
Os Braços abertos
A Mente tranquila
Sem sonhos

Sentido-me completa e sem dúvidas
Sem arrependimentos passados
Vivendo apenas o que me resta viver
...Eu sou uma velha.

Evangélica, sem preocupações quanto a isso
Decidida, meu futuro virá
Discreta, sou efêmera
...Eu sou uma velha, aos 18 anos.