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28 de agosto de 2016

Metrô

Há espaços e estações
Há versos e há versões
O certo contradiz o errado
Os fins não justificam os meios
Amores que não são vividos, morrem
E assim segue-se a vida
O mesmo destino num outro vagão
Afinal, promessas de Deus não morrem
Te acolhem na estação de chegada.

20 de outubro de 2015

Por aí II

Vontade de bater perna, dar um chute e fazer gol
Vontade de abraçar o mundo com as pernas, com os braços, coxas e mãos
Rotação, translação...
Um balé na Via Láctea

Dar de ombros, dá a mão, braço e umbigo
Respirar fundo, fechar os olhos 

Ver as ondas quebrarem...

Vontade de bater perna, me perder por ai, me encontrar...
Essa maresia...
Esse mar...
E amar? Deixa pra lá.

17 de dezembro de 2011

Identidade poesia

Minha poesia pela inspiração sofria

Por sua falta e pelo seu excesso

Minha poesia ardia na solidão e no amor

A poesia que era mais minha que da lira

Estacionou em minha vida

E na lida do dia a dia se lançou em amores e paixões vãs

Encarnou-se em outros corpos e verbalizando minhas ações

Destruiu tudo, tudo com seu afã

Vendo-se perdida no passado

Termina aceitando ser quem sou:

Vento em espírito e chama em carne

7 de julho de 2011

A desilusão e a Fé

A desilução

Lá vem
Seguindo as trilhas
Conhece o rumo já pronto

Lá vai
Sempre segura
Com foco nos céus

Descarrilhou
Todos seus sonhos
O céu está longe demais -ela não quer esperar.

A fé

Lá estavam os sonhos
Planejados
Repassados
Pronto para execução

Alicerces em construção
Tempo
Suor
Atitudes cotidianas

Mente corpo unidas
Planos e ações
Realidade e pensamentos
Essa é a vida.

29 de maio de 2011

Última Chuva de Maio

Recife numa manhã
Recife num domingo
Recife embaixo da chuva

Num cinza desbotado
Tuas águas encontram meus pés
Numa beleza transbordada
Desfazendo as avenidas e seus viés

Recife, rio encarceirado
Recife ao caos é transformado
Recife, desabrigado

À maioria era apenas entulhos
À metade destroços
Aos poucos indenização
À família a vida

Recifenses encantados
Recifenses assentados
Recife numa manhã afunda.

27 de maio de 2011

Ritmo

Observe e escreva um verso para mim
Sobre meus gestos, minha fala
O olhar que te lanço
Cada balanço que te faz amar...
Feche os olhos e rime
Sob teus ombros meus braços
Cada abraço, agora, preenchidos espaços
Nem precisa força para se inspirar

A poesia feita, segredo nosso
Sem verbalizar, sem pôr em papel
Pelo cheiro da maresia irei lembrar.

20 de maio de 2011

Minha Intempérie Sua

Tem espaços
Tempestades
Tem tempos que não nos vemos
Tem memórias
Tem verdades
Tememos o que não prevemos
Prevemos que nos perdemos
Perdemos o tempo de nos termos

Só vejo o espaço vazio
Da minha cama só sinto o frio
Da tempestade que você deixou
Das memórias que me acompanham
Como verdades que insisto em esquecer

30 de março de 2011

Paráfrase ao crescer...

Esse distante céu nublado
Como a sombra dos meus pensamentos
Pairavam os sonhos como as nuvens
Os desejos ao sabor do vento

Desejo da mente
Desejo que mente
Desejo finalmente saber o que quero
Os sonhos que quero viver

Pensamentos que alimento
Nesses dias de ansiedade
Nenhum mecanismo me defende
Nesse crítico período de amadurecimento

20 de março de 2011

Poematizando

O meu espanto
Não está para a forma
Não está para o gesto
Não é estar afim de você

O meu espanto
Não está (apenas) no sentimento
Não está (apenas) no momento
Não está (apenas) em estar com você

O meu espanto
Está na forma que se deu este sentimento
Está no gesto que se deu naquela cena
Está em estar completa, com e sem você

18 de março de 2011

RE: sem armas, sem travas, sem...

Não tenho mais armas
Ou força para lutar
Não tenho vontade
Nem quero parar

Sentir o momento a cada movimento
Não se vive de tempo
Sem substantivos para dizer
Nomear sentimentos para quê?

Cada olhar, menos uma frase
Cada toque, menos uma palavra
Cada beijo, menos...
Cada pele...
Cada...
...

24 de fevereiro de 2011

Verbo Infinito do Indicativo

O Presente domina o Passado e o Futuro
...

Se és hoje, serás amanhã e foste ontem
Te tornastes atemporal
Único... Infinito... Como um deus
Por que tu és, no limiar da existência por simples escolhas

Dominadores de destino
Criadores de oportunidades
Fazedores de milagres
Humanos demais para sermos mortais

Imbecis demais para sermos imortais
Destruidores de alheios
Sanguessugas do lar
Seres em buscar de ser

Já não importa o que devemos ser
O que fazemos é o que desejamos
O que buscamos é o que queremos
O que importa apenas o Ego sabe

O verdadeiro
O único atemporal
O infinito
Apenas diz: EU sou.

11 de janeiro de 2011

Morrer para matar

Reflita agora
Antes da coragem chegar
Não meça sua vida por calibre
Quantos cartuchos de sonhos tu tens?

Teu passado sitiado num cilindro
Teu presente vivido à sombra do gatilho
Teu futuro na ponta dos dedos
O que te vale estar vivendo

Expectativas figuradas em munição
Gatilhos destravado
Faíscas ao som de qualquer fustração
Disparos para todas situações

Teu álibe não convence
Teu refém já não vive mais
Teu futuro nem a ti pertence
Não tem como morrer assim

19 de dezembro de 2010

Terminal Integrado

Tuas veias marcadas no braço como estrias
Pulsavam pela bomba cardíaca
Pulsava pelo nó sinoatrial
Respondia ao cérebro
Que só enxergava a mim

Tua força, teus músculos, o bíceps
A força, a velocidade, centrífuga
Tua alma, teus olhos, fitavam-me
Os pés, as pessoas, a distancia entre nós

Teu corpo, meu corpo, o baú
Guardando no cérebro as certezas
Esperando os estímulos incertos
Uma resposta neural
Um som vocal.

27 de novembro de 2010

Poendrilha

Bem que a poesia
Poderia estar próxima à tinta
A tinta à caneta
A caneta ao papel

Como a mente está para a consciência
A consciência aos sentimentos
Os sentimentos aos pensamentos
Os pensamentos à poesia.

Maquiagem

Mascarar sentimentos com cores
É simples com um pincel
Brilhos, texturas e ênfase

Sombra negra sobre a solidão
Tons em nude para preencher o vazio
A naturalidade e as expressões mescladas no blush

Depressão e sedução
Elas borram o lápis preto dos olhos
O passado se esconde nas unhas

O lilás, a renda, azaléia e glitter
Forjam o jeito
Ressignificam o gesto

...

Usando para a felicidade a água
Retirando as máscaras com algodão
Rejeitando as convenções de moda

Se trate mulher
Se pinte de gente
Fazendo de tudo para ser feliz...

Maquie-se, inclusive...

25 de setembro de 2010

Meio cheia, Menos vazia

É que quando teus olhos batem na luz

E capto na minha retina a luz dos teus olhos

Percebo...

 

A serenidade, a luz, a luz, a luz

Corro para teus olhos

Querendo serenidade, a paz, a paz, a paz

Me transportas, fugimos, fingimos eternidade...

 

É que quanto teu calor bate sob minha pele

Lei 0 da termodinâmica

Eu sinto…

 

A proteção, teus braços, teus braços, teus abraços

Fecho meus olhos - ainda vejo os teus

Querendo amor, o teu, o teu, o teu

Me transformo, sou minha, sou sua, sou feliz.

 

9 de setembro de 2010

Ôi, é o trem

Lá vem
Seguindo os trilhos
Conhecendo seu rumo

Lá vai
Sempre segura
Com foco nos céus

Descarrilhou
Todos seus sonhos
Perdeu sua fé

(05/02/2010)

19 de agosto de 2010

De dentro para fora...

Se te irrita o meu desafinar
Ou que eu não saiba rimar...
Ah! Amor, vá do desencanto ao pesar
Desta feliz alma que fazes chorar

Que desde criança nunca privou-se de cantar
que na juventude ousou de versos usar
Indo sempre da cruz ao calvário
Esta passagem de luto e glória

Agarrada aos pensamentos,
Os versei
Cheia de sentimentos,
Os cantei.

16 de agosto de 2010

Bicicleta

Suburbana de nascimento
Matuta por ousadia, do destino
Tradicional como arroz com feijão
Goianense sem opção...

A cidade que me pariu
O estado que abracei
A pátria que adotei

Despreocupada por condição
Tentativas de obrigação
Alegria, paixões, ódio e verão...
Tudo seguido por observação

O idioma instruído
A linguagem digerida
O sotaque que absorvi

Tudo fruto do que veio
Mas não ao acaso vim
Feche os olhos
-Veja, você não é tão pouco assim.

---
Caso reste dúvidas, não existe acaso.

15 de agosto de 2010

Das coisas efêmeras...

Passa um carro
Passa outro carro
De repente é um engarrafamento

Entre um avião e outro
O tempo é quem passa
Enquanto eu passo.

Passos rápidos
Olhar perdido, encontrado no horizonte
Não há mais canaviais.

O tempo nunca pára
O passatempo é perda de tempo
O tempo não é mais para se perder.